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  • Foto do escritorJurandir Santos

O educador inovador e os desafios da escola do século 21

É pela educação que se desenvolve o senso crítico, desafia-se a reflexão e a criação, conquistam-se direitos, enfim, reinventa-se o mundo. Mas fundamental mesmo é que a educação propicie meios para que, no âmbito da resolução de problemas e busca pelo novo, revigore no homem a possibilidade de ser cada vez mais pleno e realizado, cada vez mais feliz.


Para que isso aconteça, a escola não pode ignorar o que acontece no planeta. Abrir a mente a mudanças está muito além de correr atrás das novas tecnologias disponíveis; significa, antes, pensar formas de renovar o sistema educacional para facilitar o caminho que os cidadãos vão trilhar futuramente, pois a conjuntura moderna projeta um futuro de incertezas e, nesse sentido, os alunos deverão ser capazes de pensar soluções profissionais e pessoais com criatividade, autoestima elevada, sem abrir mão de valores essenciais à dignidade do ser, como ética, cidadania e respeito ao meio ambiente.


Tecnologia faz bem para a evolução e facilita operações, mas inovar requer nova compreensão dos processos cognitivos, nova apreensão do conhecimento e nova transformação na visão de mundo. Inovar tem ligação com o preparo de respostas originais exigidas em diferentes situações, pois se trata de detectar que questões precisam ser resolvidas no âmbito da prática social e, em consequência, que conhecimento é necessário dominar, uma vez que a sociedade busca soluções complexas para os problemas que surgem de forma imprevisível, em determinadas circunstâncias.


No ambiente educacional, é preciso entender que a inovação é um veículo que permite colocar o conhecimento a serviço do desenvolvimento. Sem isso a sociedade tende a perder o seu capital intelectual, seus saberes e experiências, como também tende a abrir mão de seus recursos humanos mais qualificados.


Inovação não é sinônimo de invenção. Não provoca rupturas, mas pode estabelecer novas práticas sem inventar algo absolutamente novo. Ela não implica em novidade, mas pode redefinir a posição dos elementos. Já a invenção, traz a noção de descoberta de novos princípios, de propriedades e de condições; traz à realidade algo efetivamente inédito, ainda não utilizado, estabelecendo ruptura com elementos antigos e práticas anteriores.


A escola conceitua a problemática do homem contemporâneo projetando ações que determinarão o futuro. Cria necessidades de reformas e novas medidas, impedindo a acomodação de professores, alunos e demais pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem, o que, consequentemente, rompe com os paradigmas tradicionais vigentes. São tendências que aparecem periodicamente e têm a função de revitalizar as relações acadêmicas e escolares, impulsionar a busca por novidades – inata nos indivíduos –, a procura coletiva de soluções dos problemas estruturais ou de estimular descobertas para determinadas carências, subsidiando a ciência.


Inovação é uma reorganização dos saberes que não despreza a base de formação inicial de conhecimentos, mas sobrepõe e intercala informações para gerar novas respostas, com redefinição de metodologias e questionamentos. Por isso as ações imbuídas por esse espírito não podem prescindir da clareza quanto às finalidades educativas que defendem e desejam atingir. A escola deve ser o palco dessas transformações e o docente um aliado desse processo.


No entanto, para que as propostas educacionais sejam atuais e contemporâneas, elas precisam contemplar toda a população; fazer da escola um lugar de igualdade de oportunidades e principal canal de mobilidade social; expandir a rede em todos os níveis de ensino; ajustar o sistema às necessidades de desenvolvimento econômico, empregando métodos pedagógicos que formem personalidades inovadoras, racionais, sustentáveis e que enfatizem os estudos das ciências exatas e tecnológicas, entre outras propostas.


Há uma tendência em privilegiar os objetivos educacionais voltados à produção, considerando-a fator determinante da finalidade do ensino e das políticas educacionais. Devemos, portanto, combater a suposta neutralidade educacional e propor que a escola seja um lugar de críticas ao sistema e de formação de indivíduos politizados.


Também não podemos ignorar um aspecto que se reflete na realidade das escolas do nosso país nos dias atuais: o fato de que, enquanto a esmagadora maioria das escolas funciona em condições materiais insatisfatórias, com classes superlotadas e professores mal pagos, mal preparados e desmotivados, ministrando um ensino inadequado, somente algumas instituições renovadas dispõem de instalações convenientes, recursos e professores capacitados, que ministram – para uma minoria de alunos – um ensino de melhor qualidade, com métodos modernos. Entretanto, há muito para ser feito em prol de uma educação inovadora nas diferentes instituições e realidades educacionais.


Entre as competências que o educador deve desenvolver, está o domínio das novas tecnologias. A informática, indiscutivelmente, deve adaptar-se aos currículos como disciplina ou como atividade em meio a determinadas tarefas. Não só para o planejamento e preparo das aulas ou para acompanhamento e orientação de alunos. Devem ser utilizados programas de produção de textos, tabelas, ilustrações de figuras, softwares educativos, pesquisas na internet, troca de mensagens por e- mail, fórum de discussões e ferramentais de multimídia. São benefícios inovadores que, se bem- incorporados, facilitam as produções, enriquecem os trabalhos e resgatam o prazer de aprender e criar.


Contudo, as tecnologias, desenvolvidas por meio das competências que permeiam as relações entre educação, trabalho, exigência profissional e do setor produtivo, assumem uma posição reducionista quando enxergam as questões educacionais nos limites da modernização econômica e dos interesses empresariais. Outros problemas a serem considerados são os casos de desigualdade ou de exclusão societária, quando não há o domínio do aparato tecnológico pelos alunos.


Os educadores emancipadores têm o sério compromisso de transformar a informação em conhecimento e em consciência crítica, para que consiga cumprir o seu objetivo, que é o de formar pessoas. A inovação tende a ser, então, espaço de reestruturação, de mudanças estratégicas, de melhoria de ações gestoras nas mais variadas formas de composição da aula. Reorganização da relação entre teoria e prática, contextualizada em uma perspectiva global, problematizando situações, proporcionando novas formas de pesquisar, incentivando diferentes e inusitadas práticas de exposições, fazendo do professor e do aluno protagonistas da ação pedagógica.


As transformações curriculares de uma aula podem se direcionar para a interdisciplinaridade, dessa forma, os alunos percebem que uma disciplina interfere e complementa a outra, e que o conjunto se identifica com a formação escolhida.


Logo, se considerarmos a inovação uma produção humana, espera-se dela que supere a fragmentação das ciências e das suas implicações para a vida do homem e o desenvolvimento da sociedade, e predisponha as pessoas e instituições à indagação e emancipação.


Concluindo, cabe à escola valorizar o conhecimento como espaço de realização humana, selecionar e rever criticamente a informação, formular hipóteses, estimular a criatividade, valorizar a curiosidade e incentivar a renovação, construindo e reconstruindo, assim, o conhecimento elaborado, pois a tecnologia por si só muito pouco pode contribuir para a emancipação das pessoas excluídas, se não for associada ao exercício da cidadania.


SANTOS, Jurandir. Educação: desafios da atualidade. São Paulo: Editora Compacta, 2012.

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